Responder quem somos é – veja que não usei o advérbio talvez – uma das tarefas mais difíceis que existem, pois nunca vamos querer expor um lado nosso que não gostamos, principalmente para algo tão longínquo como a internet. Contudo, há alguns dias, quando remexia em textos do primeiro ano de faculdade, encontrei um bom gancho para esta malfadada missão. Vamos lá:
"Às vezes extrovertido. Às vezes tímido. Sempre sincero! Tenho vinte anos completos, e talvez só isso de completo. Sou meio loiro, meio gordo, meio jornalista, ainda. Nunca fui bom com as palavras faladas, mas sempre me encantei com as escritas; viajo com elas! Meu sangue italiano me fez palmeirense fanático, temperamental; o português ainda não sei, talvez um dia queira desbravar o mundo. Já quis ser dentista, músico, já não soube para onde correr. A MPB uma herança dos meus pais, o Rock 'n' Roll uma herança da vida. De cada dez palavras que saem da minha boca pelo menos cinco estão entre mano, 'véio' ou algum palavrão qualquer. Isso é ruim? Acho que se enquadra no meu corpo perfurado por piercings e rabiscado por tatuagens”.
Talvez – olha só quem apareceu – somente após observar uma produção antiga conseguimos refletir sobre o que éramos e como podemos nos metamorfosear, ou não, em apenas quatro anos (ou 8, ou 20). Um exemplo banal: meu corpo não é mais perfurado por piercings e os rabiscos de tatuagens eram apenas mais um desejo juvenil que ficou para trás, de braços dados com os manos e os ‘véios’. Isso é evolução ou apenas um abandono de ideais? Ainda não sei a resposta.
No mais, de forma geral, não mudaria a maioria do que foi posto nessa descrição feita em uma tarde de aula no Mackenzie. Provavelmente alteraria, apenas, a intensidade de cada característica em minha vida atualmente e acrescentaria uma maior habilidade em lidar com entreveros; o que, inevitavelmente, só ganhamos com o passar dos anos.
Independente do talvez, ou da falta dele, agora falo com toda a certeza que apesar do meu diploma continuo sendo um ‘meio jornalista’ e provavelmente o serei até o dia em que não terei mais aptidão ou sanidade suficiente para escrever um texto tão agradável como este. Afinal, sempre temos muito a aprender.
Viver com o jornalismo é estar todos os dias aberto e disposto a invadir um mundo que não necessariamente faria parte de sua rotina e desvendar todas as cavidades do nosso objeto de estudo. E aí, meu amigo, é que está, em minha opinião, todo o prazer do jornalismo e de ser jornalista: a degustação do diferente e a caça pelo desconhecido.
Não vou mentir e dizer que desde criancinha sonhava em ser jornalista, e fingia ser repórter ou fazia um jornalzinho com as últimas notícias do que sairia para o jantar em família. Escolhi tal carreira, à priori, por conta do meu gosto pela escrita, paixão que nasceu na fase final de minha adolescência e aumentou após várias leituras.
Com o passar dos anos de estudo na faculdade e a vivência no apaixonante caos de uma redação, apesar de algumas decepções e vislumbres que não se concretizaram, pude, então, ter o privilégio de adquirir o sonho de ser jornalista e me encantar com esse mundo cercado pelo imprevisível.
Minha curta, porém proveitosa, carreira de jornalista já me propôs experiências de conhecer outros mundos que nunca pensei um dia poder viver, como lidar com pessoas da periferia de São Paulo, conhecendo seus problemas, e aprender a fundo sobre a cultura islâmica.
Talvez – este com um viés de certamente – um dia me torne um poeta ou escritor, mas isso são planos para quando me restarem poucos cabelos na cabeça e minha barriga estiver ainda mais proeminente. Contudo, isso é um assunto para outros 4 mil caracteres. Nos próximos bons anos quero viver e aprender intensamente com o jornalismo.
terça-feira, 16 de junho de 2015
quarta-feira, 10 de junho de 2015
Ossos verdadeiros são soluções para implantes dentários
Algumas pessoas que ficaram durante um longo período sem um ou mais dentes sofrem com a reabsorção óssea na região da gengiva devido à falta de estímulo dos dentes. Isso acontece porque o organismo entende que não é necessário manter uma estrutura que não tem uso para o corpo.
Para esses casos, são indicados os procedimentos de enxerto ósseo na região sob a gengiva, exatamente no lugar onde ocorreu a reabsorção, para que seja estimulada a formação de uma nova estrutura de osso que possa comportar um implante dentário.
Atualmente, existem dois tipos de enxertos que são indicados para as pessoas que desejam novamente ter uma “boca cheia de dentes”. Um deles utiliza farelo de osso bovino, e é chamado de enxerto exógeno. Outra opção é o enxerto autógeno, que provém de ossos humanos, dos próprios pacientes ou não.
O procedimento utilizando o osso bovino é feito por meio da inserção de farelo do osso do animal sob a gengiva, para estimular a criação de uma nova estrutura óssea, e esse farelo de osso provém de um novilho. “O enxerto bovino ou Xenógeno é muito utilizado em casos de levantamento de seio e quando precisamos cobrir algum implante que ficou exposto por falta de osso, mas em apenas algumas faces” afirma a cirurgiã - dentista Amarilis Maria Ribeiro. “É um osso particulado ou em bloco, que é tirado do fêmur ou tíbia do animal jovem”, completa a dentista.
Diferentemente de alguns procedimentos que inserem corpos diferentes dentro do organismo, como no caso de transplante de órgãos, é muito raro o risco de que haja rejeição. Segundo Amarilis, “o osso enxertado é apenas um indutor que estimula as células a formarem mais osso. O enxerto dar certo ou não, varia de acordo com o organismo de cada paciente, mas no geral não há rejeição a esse processo”.
A dona de casa Maria Gorete Pereira, 56 anos, passou por esse procedimento há cerca de 4 anos e conta que ficou um pouco com o “pé atrás” quando o dentista disse a ela como seria a cirurgia, mas que no final deu tudo certo. “É estranho você ouvir que vão colocar um osso de um animal na sua boca”, afirma Maria. “Mas no final o dentista me explicou tudo e que era supernormal esse tipo de procedimento. Ainda bem que deu tudo certo e conseguimos fazer o implante”, finalizou a dona de casa.
Contudo, esse procedimento não é indicado para todos os casos de reabsorção óssea sob a gengiva. “O enxerto bovino é indicado apenas em casos de levantamento de seio e preenchimentos pequenos de falhas ósseas”, afirma Amarilis. Em casos de reabsorções maiores, os dentistas têm de utilizar pedaços maiores de osso, e nesses casos são usados ossos humanos, o que é chamado de enxerto autógeno.
Esse outro tipo de implante pode ser um pouco mais invasivo, porque é necessário que seja retirado um pedaço de osso de outra parte do corpo da pessoa para, posteriormente, poder implantá-lo na boca do paciente. Esse pedaço de osso pode vir da própria boca ou de outras partes do corpo, como do crânio, das costelas, da tíbia ou da bacia.
De acordo com o cirurgião-dentista Antonio Bifulco, “quando o osso provém da boca, é o próprio dentista quem faz a cirurgia, mas quando ele vem de outras partes do corpo é necessário que um ortopedista seja chamado para que, dentro de um ambiente hospitalar, faça o procedimento para retirar um pedaço de osso”.
Caso o paciente queira evitar mais uma operação, o osso que será enxertado pode ser conseguido em um banco de ossos, que é um lugar para onde vão os tecidos ósseos retirados de pacientes que fazem implantes de próteses na cabeça do fêmur, por exemplo, e lá ficam para serem doados para pacientes que deles necessitam, como as pessoas que buscam implantes dentários.
Na opinião do cirurgião-dentista Antonio, o enxerto autógeno com o próprio osso do paciente é a melhor escolha tanto para o dentista, como para o paciente, porque “não existe nenhum risco de rejeição, mas há grandes chances de que em vez de formar um novo osso, o que colocamos pode ser, também, absorvido pelo corpo. Por isso quanto menos estranho o corpo enxertado melhor”. Antonio ainda completa dizendo que “mesmo o osso do paciente não é uma garantia de sucesso, mas atualmente o enxerto antes do implante é a única opção para quem deseja voltar a ter os dentes e não tem uma estrutura óssea suficiente no local onde serão colocados os pinos”.
Após feito o enxerto, o tempo para a formação de uma nova estrutura óssea no local pode demorar entre 6 e 9 meses. Segundo Antonio Bifulco, não há um estudo que comprove uma maior eficácia do enxerto autógeno, mas pela sua experiência, ele costuma ser mais rápido e mais eficiente que o enxerto que utiliza o osso bovino.
Para esses casos, são indicados os procedimentos de enxerto ósseo na região sob a gengiva, exatamente no lugar onde ocorreu a reabsorção, para que seja estimulada a formação de uma nova estrutura de osso que possa comportar um implante dentário.
Atualmente, existem dois tipos de enxertos que são indicados para as pessoas que desejam novamente ter uma “boca cheia de dentes”. Um deles utiliza farelo de osso bovino, e é chamado de enxerto exógeno. Outra opção é o enxerto autógeno, que provém de ossos humanos, dos próprios pacientes ou não.
O procedimento utilizando o osso bovino é feito por meio da inserção de farelo do osso do animal sob a gengiva, para estimular a criação de uma nova estrutura óssea, e esse farelo de osso provém de um novilho. “O enxerto bovino ou Xenógeno é muito utilizado em casos de levantamento de seio e quando precisamos cobrir algum implante que ficou exposto por falta de osso, mas em apenas algumas faces” afirma a cirurgiã - dentista Amarilis Maria Ribeiro. “É um osso particulado ou em bloco, que é tirado do fêmur ou tíbia do animal jovem”, completa a dentista.
Diferentemente de alguns procedimentos que inserem corpos diferentes dentro do organismo, como no caso de transplante de órgãos, é muito raro o risco de que haja rejeição. Segundo Amarilis, “o osso enxertado é apenas um indutor que estimula as células a formarem mais osso. O enxerto dar certo ou não, varia de acordo com o organismo de cada paciente, mas no geral não há rejeição a esse processo”.
A dona de casa Maria Gorete Pereira, 56 anos, passou por esse procedimento há cerca de 4 anos e conta que ficou um pouco com o “pé atrás” quando o dentista disse a ela como seria a cirurgia, mas que no final deu tudo certo. “É estranho você ouvir que vão colocar um osso de um animal na sua boca”, afirma Maria. “Mas no final o dentista me explicou tudo e que era supernormal esse tipo de procedimento. Ainda bem que deu tudo certo e conseguimos fazer o implante”, finalizou a dona de casa.
Contudo, esse procedimento não é indicado para todos os casos de reabsorção óssea sob a gengiva. “O enxerto bovino é indicado apenas em casos de levantamento de seio e preenchimentos pequenos de falhas ósseas”, afirma Amarilis. Em casos de reabsorções maiores, os dentistas têm de utilizar pedaços maiores de osso, e nesses casos são usados ossos humanos, o que é chamado de enxerto autógeno.
Esse outro tipo de implante pode ser um pouco mais invasivo, porque é necessário que seja retirado um pedaço de osso de outra parte do corpo da pessoa para, posteriormente, poder implantá-lo na boca do paciente. Esse pedaço de osso pode vir da própria boca ou de outras partes do corpo, como do crânio, das costelas, da tíbia ou da bacia.
De acordo com o cirurgião-dentista Antonio Bifulco, “quando o osso provém da boca, é o próprio dentista quem faz a cirurgia, mas quando ele vem de outras partes do corpo é necessário que um ortopedista seja chamado para que, dentro de um ambiente hospitalar, faça o procedimento para retirar um pedaço de osso”.
Caso o paciente queira evitar mais uma operação, o osso que será enxertado pode ser conseguido em um banco de ossos, que é um lugar para onde vão os tecidos ósseos retirados de pacientes que fazem implantes de próteses na cabeça do fêmur, por exemplo, e lá ficam para serem doados para pacientes que deles necessitam, como as pessoas que buscam implantes dentários.
Na opinião do cirurgião-dentista Antonio, o enxerto autógeno com o próprio osso do paciente é a melhor escolha tanto para o dentista, como para o paciente, porque “não existe nenhum risco de rejeição, mas há grandes chances de que em vez de formar um novo osso, o que colocamos pode ser, também, absorvido pelo corpo. Por isso quanto menos estranho o corpo enxertado melhor”. Antonio ainda completa dizendo que “mesmo o osso do paciente não é uma garantia de sucesso, mas atualmente o enxerto antes do implante é a única opção para quem deseja voltar a ter os dentes e não tem uma estrutura óssea suficiente no local onde serão colocados os pinos”.
Após feito o enxerto, o tempo para a formação de uma nova estrutura óssea no local pode demorar entre 6 e 9 meses. Segundo Antonio Bifulco, não há um estudo que comprove uma maior eficácia do enxerto autógeno, mas pela sua experiência, ele costuma ser mais rápido e mais eficiente que o enxerto que utiliza o osso bovino.
quinta-feira, 12 de março de 2015
Aprendendo a fazer jornalismo
Num primeiro momento, pode parecer estranho dizer que os jornalistas e os veículos de comunicação, até mesmo os mais tradicionais, como a Veja e o The New York Times, terão de aprender a fazer jornalismo. Não será discutido aqui se determinado veículo faz mal seu trabalho e deve se reestruturar. Tudo bem, alguns deveriam, mas isso não vem ao caso especificamente nessa publicação.
A questão que envolve o reaprendizado do jornalismo está ligado ao surgimento de novas tecnologias que não permitem o simples ato de transferir o que já é feito no jornalismo impresso ou até mesmo no jornalismo Web para a plataforma de Ipads e Kindles.
Alex Primo, discute no vídeo ‘Jornalismo para Ipad e Kindle’ como vários veículos brasileiros e internacionais estão criando seu conteúdo para essa nova plataforma e, analisando o que é dito por ele, percebe-se que ainda ninguém sabe ao certo como fazer esse jornalismo. Ainda não há um padrão ‘de sucesso’ a ser seguido.
Vemos que os exemplos dados por Alex vão desde a simples transferência do que é produzido no impresso até à criação de uma mentalidade nova de conteúdo para um meio que é mais interativo que um simples pedaço de papel que será usado pelo cachorro da família poucas horas após ser lido.
O que Alex defende eu seu vídeo são essas publicações que se utilizam de várias ferramentas que tornam a reportagem mais interativa e permitem que o leitor ‘brinque’ com o conteúdo que está em suas mãos. De certo modo, os usuário é quem comanda o caminho que deseja seguir para entender sobre o assunto.
Contudo, Alex se esquece de tocar em um ponto importante que talvez seja uma saída mais elaborada e completa que deixaria poucas lacunas a serem preenchidas tanto para o aprendizado dos leitores sobre determinado assunto, quanto para veículo de comunicação que tornariam suas publicações mais versáteis e com uma maior gama de acessos.
Percebe-se que alguns veículos estão um pouco perdidos e, talvez, até um pouco receosos quanto ao futuro do jornalismo. Como Alex disse em seu vídeo, os veículos precisam se adequar às novas tecnologias. O ‘The Telegraph’, por exemplo, preferiu ordenar que seus jornalistas tweetem pelo menos duas vezes por dia. Isso é necessário, mas não uma solução para salvar os jornais.
A melhor saída para o jornalismo para Ipads e Kindles talvez seja fazer uma abordagem em conjunto com as antigas mídias, como o impresso e o vídeo. Como exemplo, pode-se citar uma publicação sobre a Copa do Mundo na Folha de São Paulo falando sobre os estádios que estão sendo construídos.
No Ipad, o leitor poderia ver uma linha do tempo com datas marcantes da construção com uma foto de como o estádio estava naquela data acompanhado de uma breve descrição, que no final levaria para um outro link que mostrasse a construção da obra em tempo real.
Ainda há espaço para inserir uma publicação em formato de rádio ou para alguma rede social, mas o exemplo serve para expor que o usuário pode começar por qualquer uma das três plataformas e provavelmente irá querer acessar o que está na outra publicação, pois não se tratará de três conteúdos repetidos, mas sim publicações complementares que ajudariam o leitor e renderiam mais acessos para o veículo e mais publicidade, já que existiriam mais lugares para anúncios.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Chernobyl ainda exala
Em 1986 a Cortina de Ferro imposta pela União Soviética ainda era um muro alto e maciço. Os que viviam à sua sombra muitas vezes eram obrigados a viver com a negligência dos ‘Czares’ soviéticos que não queriam deixar nada de errado em seu regime ser exposto ao rival mundo capitalista.
No dia 26 de abril de 1986 uma cidade ucraniana amanheceu com uma nuvem de radioativa sobre sua cabeça. Ali começava o pior acidente nuclear da história da humanidade: o Desastre de Chernobyl.
Inicialmente, operadores da usina queriam fazer um teste para avaliar como um dos reatores reagia quando utilizado com baixos níveis de energia. Contudo, por despreparo ou erro do próprio maquinário, o sistema hidráulico de resfriamento falhou e, consequentemente, um superaquecimento irreversível tomou conta do reator quatro.
A explosão liberou na atmosfera material radioativo em quantidades letais que logo se dispersaram por grande parte da Europa. Para fazer um comparativo, as bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki liberaram, aproximadamente, uma radiação quatrocentas vezes menor que a da usina de Chernobyl.
Assim que tomou conhecimento dos fatos, o governo Soviético organizou um mutirão com mais de 500 mil trabalhadores, muitos deles civis, para fazer a limpeza do material radioativo na região e auxiliar na retirada imediata de aproximadamente 50 mil pessoas. Helicópteros também foram enviados ao centro da explosão para tentar controlar as chamas despejando areia e chumbo sobre elas.
Após o acidente, especialistas diagnosticaram que faltava uma maior estrutura de segurança para a usina de Chernobyl. Estruturas de cimento e aço eram inexistentes no local, e só foram construídas depois que o mal já estava feito e a nuvem radioativa se espalhava rapidamente por toda a região graças ao clima úmido e chuvoso.
O reator era rico em Césio-137, e mudou para sempre a vida de quem morava nas proximidades da usina. Mesmo após 25 anos do acidente, a população atingida e seus descendentes sofrem de enfermidades como cânceres e anomalias genéticas.
Um estudo realizado pela Universidade da Carolina do Sul, com a colaboração de biólogos e cientistas consagrados, atestou que Chernobyl ainda é perigo para o meio ambiente. São 25 anos que separam o desastre da agricultura e vida selvagem atual, mas de acordo com o biólogo Tim Mousseau, Chernobyl definitivamente não é o paraíso para a vida selvagem. A radiotividade ainda afeta zonas rurais do nordeste ucraniano, onde camponeses fazem plantações ilegais de cogumelos e grãos para se sustentarem. O índice radioativo da região baixou nos últimos 25 anos, mas as regiões mais críticas ainda apresentam contaminação em até 20 centímetros abaixo do solo. A contaminação ocorre com a passagem das partículas radioativas do solo para as plantas por meio das raízes, e animais e humanos podem contaminar-se através do alimento ingerido. Se absorvido pelos ossos e órgãos, o Césio-137 danifica o DNA e aumenta o risco de células mutantes que podem vir a tornarem-se tumores.
Cerca de 2.2 milhões de pessoas ainda sofrem com cânceres e outras doenças contraídas por causa da catástrofe. Todos são sobreviventes do acidente ucraniano, que acabou com a cidade de Pripyat. O município foi construído especialmente para abrigar os trabalhadores da usina de Chernobyl, e hoje é uma cidade-fantasma, repleta de marcas da tragédia.
Na cidade abandonada de Pripyat, construções ainda guardam os símbolos do regime soviético, um parque de diversões que nunca foi inaugurado permanece intacto e escolas vazias ainda conservam máscaras de proteção usadas pelos alunos após o acidente.
Cerca de 100 quilômetros do epicentro do desastre, uma pequena criança que no futuro se transformaria no melhor jogador de futebol do mundo em uma temporada era obrigado a abandonar sua casa junto com sua família. O pequeno Andriy Shevchenko, que anos mais tarde jogaria nos poderosos Milan e Chelsea, aos nove anos já sabia o que é ser um refugiado nuclear. E mesmo após tantos anos o medo e as lembranças ainda o perseguem. “Deixou-me transtornado. A mim, à minha família, a todos os meus amigos”, revelou o jogador que atualmente defende o Dínamo de Kiev em uma entrevista coletiva.
No dia 26 de abril de 2011, a ONU (Organização das Nações Unidas) prestou uma homenagem às vítimas pelos 25 anos do acidente. “O aniversário de Chernobyl é uma ocasião para lembrar do custo humano do desastre, como também para fazer um balanço dos problemas persistentes”, declarou a Embaixadora da Nicarágua e Presidente interina da Assembléia Geral, Maria Rubiales de Chamorro.
Na exposição de fotos em Nova York sobre o acidente, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon garantiu que manterá a questão da segurança nuclear na pauta Internacional. “Ao trabalhar para garantir que a energia nuclear seja utilizada de maneira pacífica e segura, estaremos honrando a memória das vítimas de Chernobyl e de seu heróis”, disse.
No dia 26 de abril de 1986 uma cidade ucraniana amanheceu com uma nuvem de radioativa sobre sua cabeça. Ali começava o pior acidente nuclear da história da humanidade: o Desastre de Chernobyl.
Inicialmente, operadores da usina queriam fazer um teste para avaliar como um dos reatores reagia quando utilizado com baixos níveis de energia. Contudo, por despreparo ou erro do próprio maquinário, o sistema hidráulico de resfriamento falhou e, consequentemente, um superaquecimento irreversível tomou conta do reator quatro.
A explosão liberou na atmosfera material radioativo em quantidades letais que logo se dispersaram por grande parte da Europa. Para fazer um comparativo, as bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki liberaram, aproximadamente, uma radiação quatrocentas vezes menor que a da usina de Chernobyl.
Assim que tomou conhecimento dos fatos, o governo Soviético organizou um mutirão com mais de 500 mil trabalhadores, muitos deles civis, para fazer a limpeza do material radioativo na região e auxiliar na retirada imediata de aproximadamente 50 mil pessoas. Helicópteros também foram enviados ao centro da explosão para tentar controlar as chamas despejando areia e chumbo sobre elas.
Após o acidente, especialistas diagnosticaram que faltava uma maior estrutura de segurança para a usina de Chernobyl. Estruturas de cimento e aço eram inexistentes no local, e só foram construídas depois que o mal já estava feito e a nuvem radioativa se espalhava rapidamente por toda a região graças ao clima úmido e chuvoso.
O reator era rico em Césio-137, e mudou para sempre a vida de quem morava nas proximidades da usina. Mesmo após 25 anos do acidente, a população atingida e seus descendentes sofrem de enfermidades como cânceres e anomalias genéticas.
Um estudo realizado pela Universidade da Carolina do Sul, com a colaboração de biólogos e cientistas consagrados, atestou que Chernobyl ainda é perigo para o meio ambiente. São 25 anos que separam o desastre da agricultura e vida selvagem atual, mas de acordo com o biólogo Tim Mousseau, Chernobyl definitivamente não é o paraíso para a vida selvagem. A radiotividade ainda afeta zonas rurais do nordeste ucraniano, onde camponeses fazem plantações ilegais de cogumelos e grãos para se sustentarem. O índice radioativo da região baixou nos últimos 25 anos, mas as regiões mais críticas ainda apresentam contaminação em até 20 centímetros abaixo do solo. A contaminação ocorre com a passagem das partículas radioativas do solo para as plantas por meio das raízes, e animais e humanos podem contaminar-se através do alimento ingerido. Se absorvido pelos ossos e órgãos, o Césio-137 danifica o DNA e aumenta o risco de células mutantes que podem vir a tornarem-se tumores.
Cerca de 2.2 milhões de pessoas ainda sofrem com cânceres e outras doenças contraídas por causa da catástrofe. Todos são sobreviventes do acidente ucraniano, que acabou com a cidade de Pripyat. O município foi construído especialmente para abrigar os trabalhadores da usina de Chernobyl, e hoje é uma cidade-fantasma, repleta de marcas da tragédia.
Na cidade abandonada de Pripyat, construções ainda guardam os símbolos do regime soviético, um parque de diversões que nunca foi inaugurado permanece intacto e escolas vazias ainda conservam máscaras de proteção usadas pelos alunos após o acidente.
Cerca de 100 quilômetros do epicentro do desastre, uma pequena criança que no futuro se transformaria no melhor jogador de futebol do mundo em uma temporada era obrigado a abandonar sua casa junto com sua família. O pequeno Andriy Shevchenko, que anos mais tarde jogaria nos poderosos Milan e Chelsea, aos nove anos já sabia o que é ser um refugiado nuclear. E mesmo após tantos anos o medo e as lembranças ainda o perseguem. “Deixou-me transtornado. A mim, à minha família, a todos os meus amigos”, revelou o jogador que atualmente defende o Dínamo de Kiev em uma entrevista coletiva.
No dia 26 de abril de 2011, a ONU (Organização das Nações Unidas) prestou uma homenagem às vítimas pelos 25 anos do acidente. “O aniversário de Chernobyl é uma ocasião para lembrar do custo humano do desastre, como também para fazer um balanço dos problemas persistentes”, declarou a Embaixadora da Nicarágua e Presidente interina da Assembléia Geral, Maria Rubiales de Chamorro.
Na exposição de fotos em Nova York sobre o acidente, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon garantiu que manterá a questão da segurança nuclear na pauta Internacional. “Ao trabalhar para garantir que a energia nuclear seja utilizada de maneira pacífica e segura, estaremos honrando a memória das vítimas de Chernobyl e de seu heróis”, disse.
domingo, 2 de novembro de 2014
Voto por não votar, se quiser
A cada dois anos os brasileiros acordam num domingo de manhã para praticar o maior dever cívico que uma democracia pode disponibilizar ao seu povo: o voto.
Domingo por natureza é um dia que deveria ser dedicado inteiramente ao ócio da recuperação carnal depois uma longa semana de seis dias dedicados à estressante rotina de trabalho, estudos ou qualquer coisa que, mesmo insignificante, não nos deixe usufruir de um leve e necessário estado de “vadiagem”.
Contudo, o direito ao descanso merecido e, principalmente, a democracia são feridos em todos os processos eleitorais do Brasil; afinal, não é nem um pouco democrático obrigar o cidadão a sair de casa para enfrentar as filas das votações.
Os defensores do voto obrigatório expõem algumas ideias que dizem que em países onde o voto não é obrigatório a população perde o interesse pela política e , consequentemente, seria mais fácil que um candidato com ideais questionáveis e pouco preparado conseguisse chegar às esferas de poder.
Acreditando cegamente numa afirmação destas, com certeza em terreno tupiniquim não existiria este tipo problema, pois aqui, todos os cidadãos maiores de 18 e com menos de 65 anos são obrigados a comparecer às urnas.
O Brasil não deveria ter problemas quanto a políticos chegando ao poder sem nem mesmo ter uma única proposta. Neste mundo ideal e irreal, pessoas como Tiririca e Frank Aguiar também jamais teriam sido concebidos nem em vida e muito menos politicamente.
A falta de preparo do povo na hora da escolha dos candidatos é exatamente o resultado do trabalho mal feito por aqueles que nos representam em Brasília.
No Brasil não há uma educação política, e talvez por isso as pessoas esperem que algum candidato conte a estes ”analfabetos políticos” (e não políticos analfabetos, neste caso) o que faz um deputado quando ele chegar lá.
Um pequeno número de votos conscientes é mais precioso que milhões de outros que, por assim dizer, são jogados na lata do lixo. Sendo que esta lata de lixo é o nosso sistema de saúde, nossa educação e etc., etc. e etc.
Política se faz com pessoas com interesse em melhorar e fazer funcionar a grande engrenagem de um país. Se quem vota já não tem está motivado por seus próprios direitos, tudo está errado desde o princípio.
Domingo por natureza é um dia que deveria ser dedicado inteiramente ao ócio da recuperação carnal depois uma longa semana de seis dias dedicados à estressante rotina de trabalho, estudos ou qualquer coisa que, mesmo insignificante, não nos deixe usufruir de um leve e necessário estado de “vadiagem”.
Contudo, o direito ao descanso merecido e, principalmente, a democracia são feridos em todos os processos eleitorais do Brasil; afinal, não é nem um pouco democrático obrigar o cidadão a sair de casa para enfrentar as filas das votações.
Os defensores do voto obrigatório expõem algumas ideias que dizem que em países onde o voto não é obrigatório a população perde o interesse pela política e , consequentemente, seria mais fácil que um candidato com ideais questionáveis e pouco preparado conseguisse chegar às esferas de poder.
Acreditando cegamente numa afirmação destas, com certeza em terreno tupiniquim não existiria este tipo problema, pois aqui, todos os cidadãos maiores de 18 e com menos de 65 anos são obrigados a comparecer às urnas.
O Brasil não deveria ter problemas quanto a políticos chegando ao poder sem nem mesmo ter uma única proposta. Neste mundo ideal e irreal, pessoas como Tiririca e Frank Aguiar também jamais teriam sido concebidos nem em vida e muito menos politicamente.
A falta de preparo do povo na hora da escolha dos candidatos é exatamente o resultado do trabalho mal feito por aqueles que nos representam em Brasília.
No Brasil não há uma educação política, e talvez por isso as pessoas esperem que algum candidato conte a estes ”analfabetos políticos” (e não políticos analfabetos, neste caso) o que faz um deputado quando ele chegar lá.
Um pequeno número de votos conscientes é mais precioso que milhões de outros que, por assim dizer, são jogados na lata do lixo. Sendo que esta lata de lixo é o nosso sistema de saúde, nossa educação e etc., etc. e etc.
Política se faz com pessoas com interesse em melhorar e fazer funcionar a grande engrenagem de um país. Se quem vota já não tem está motivado por seus próprios direitos, tudo está errado desde o princípio.
quarta-feira, 11 de junho de 2014
Nobreza banguela
No alvorecer do dia 12 de junho de 2014 as verdejantes selvas brasileiras estarão no alto do Olimpo chorando ao lembrar-se da desgraça de sua desnecessária degola. Na terra dos mortais, a mulata terá uma bala de ‘três oitão’ transfixada por suas pomposas nádegas, enquanto no meio do ‘sambão’ da abertura da Copa crianças são usadas para voar como aviões.
Nada que não se resolva com uma maquiagem de alegria com sorrisos desdentados e um pandeiro girando no alto do dedo médio. Não se preocupe, caro leitor, pois em pouco mais de um mês estaremos finalmente inseridos no primeiro mundo. Eu serei o lorde da Vila Ré, e me juntarei à marquesa do Capão Redondo e ao Duque do Tremembé para assistir ao fantasma do legado provido por nossos bolsos.
Quando saio de meu palacete, vez ou outra viajo para o local onde um primo rico construiu uma moradia de mais de um bilhão de reais, mas não entendo o porquê de a favela da plebe, que fica exatamente na frente, continuar lá; mais imponente que o próprio Castelo de Itaquera. Terá me faltado educação ou os reis do dia 12 de junho são míopes?
“Nada disso me importa”. “Isso é uma vergonha”. “Agora nossa vida melhorará”. “Só estão fazendo isso para me roubar”. Acho que estou um pouco bipolar... Eu, o brasileiro, estou numa bipolaridade social, envolto a um redemoinho de mentiras no momento em que vivo a verdadeira realidade.
Mas agora é hora de respirar fundo esse ar cheio de poluição e agradecer a São Blatter, que estais na Suíça, pela graça concedida ao meu nobilíssimo povo. Minha única preocupação é se faltar um pivô na seleção. Na minha boca, ok.
Para os cavaleiros do apocalipse fica o meu beijinho no ombro. Vocês falam das desgraças como se vacas voassem, e se esquecem que por aqui, atualmente, só voam vasos sanitários.
Atenciosamente,
Nobre banguela
*** Crônica produzida para o curso de Jornalismo Cultural do Senac.
Atemporalidade brasillis
Pés maltrapilhos que se direcionam da aridez até um oásis de florestas de pedra em busca da graça almejada, e enfrentam, ao final de sua jornada, a dificuldade de entender um mundo culturalmente próximo, mas que a distância geográfica moldou como se a própria mão de Darwin estivesse ali para submeter aqueles menos adaptados.
Com exceção ao diálogo entre os personagens, típico de épocas já passadas, e à hoje pouco usual moda de usar ternos e gravatas fora dos casamentos, o filme ‘O pagador de promessas’ (1962) consegue exprimir muito do que é a sociedade brasileira do século XXI, com todas as suas superstições, problemas e soluções efêmeras.
Contudo, antes de abordar as peculiaridades do ‘Brasil de sempre’, vale a menção ao diretor Anselmo Duarte; visto que ele conseguiu produzir o filme de uma hora e meia quase inteiramente em uma escadaria de igreja, sem precisar de imagens coloridas para prender a atenção do expectador. O preto e o branco e os poucos recursos de câmera deixam os olhos mais voltados para o enredo e às emoções dos personagens.
Pobre Zé do Burro. Um Zé sem muitas perspectivas que adentrou no mundo de outros Zés que não aceitavam sua preferência por ser apenas o que ele gostava de ser: um simples Zé que direcionava sua vida por suas convicções, não por ideologias.
Tal como vemos hoje. Extrema esquerda: “leva um presidiário para sua casa, então...”. Esquerda: “Como é discutir isso comendo caviar na sua cobertura?”. Direita: “Você paga seus impostos para a melhoria de sua cidade!”. Extrema direita: “Se você pensa assim, por que não voltar para a ditadura de uma vez?”. Centro: “Sem opinião!”. Não basta pensar aquilo que deseja pensar, tem que estar sempre de mãos dadas, caminhando e cantando, com uma causa maior.
O filme, que há dois anos completou suas bodas de ouro, se passa na Bahia e mostra muito bem a amálgama entre as culturas religiosas dos povos brasileiros. Na trama, Zé do Burro faz uma promessa num terreiro de candomblé e tenta pagá-la numa igreja católica. Obviamente isso não é bem visto pelo padre-general da paróquia que, em pleno Pelourinho, vira as costas para a cultura africana; dos negros; dos brasileiros.
Perante a negativa do padre-general, a história do simples agricultor que percorreu sete léguas levando uma cruz de madeira nas costas para cumprir uma promessa pela cura de um burro viaja até os ouvidos sempre atentos de uma redação de jornal. Um pretendente a mártir estava ganhando forma nas escadarias da igreja de Santa Bárbara.
Nesse momento do filme é um pouco inevitável pensar em alguns casos do nosso jornalismo, em que, muitas vezes, a maior bandeira é a amplificação do fato real. Sem se importar muito com a apuração para se chegar à veracidade dos fatos, vide o que aprendemos na ‘Escola Base’ e o que ingerimos com o ‘Boimate’.
E nesse meio tempo, quando todos os olhos da polícia e outras autoridades estão voltados para a punição dos possíveis defloradores da moral apontados pela imprensa, pessoas são arrastadas para dentro de covis onde o mundo parece melhor do que aquele em que elas enfrentam todos os dias quando o sol nasce e são obrigadas levantar os olhos perante a sua realidade.
Uma sociedade de poucos com muito e muitos com pouco sempre gerará desvios de moral, mesmo que sejam para conseguir apenas um átimo da verdadeira realidade que tal infração traga. Um relógio roubado nunca tornará um ladrão residente de um bairro nobre, assim como uma cerca elétrica não impede arrombamentos.
E em meio ao caos de depravações, criam-se mártires para morrer pela causa de outros. No momento em que Zé do Burro é morto, e pela primeira vez na trama é filmado de cima para baixo, pois somente naquele momento ele havia de fato se tornado uma pessoa importante, impossível não se lembrar de Amarildo, DG, Da Leste.
Criminosos de fato ou injustiçados nunca saberemos. São apenas alguns Zés que tiveram o azar de cair em dos atemporais problemas de nossa sociedade.
*** Artigo produzido para o curdo de Jornalismo Cultural do Senac.
Assinar:
Postagens (Atom)